Mas é interessante notar que, ao contar essa parábola, Jesus não falou apenas sobre o filho mais novo. Afinal, o pai possuía dois filhos.
E quem era o outro filho?
O outro filho era o filho mais velho, que nunca havia deixado a casa do pai, nem pedido a sua parte na herança, como o seu irmão. Era aquele filho que se orgulhava por “servir ao pai há muitos anos sem nunca ter transgredido um só mandamento dele” (Lc 15: 29) e que se revoltou contra ele quando este fez uma festa para comemorar o retorno do filho caçula.
Esse filho representa nós cristãos, que nunca ousamos sair da casa de nosso Pai celestial; nós que nascemos em um “lar evangélico” ou nos convertemos há muito tempo e nos orgulhamos por nossa “fidelidade absoluta”; nós que nos damos até o direito de julgar e criticar os nossos irmãos que saem da igreja e vão para o mundo.
E a pergunta é a seguinte: “Será que esse filho mais velho era realmente tudo aquilo que ele pensava ser?”
Infelizmente não. Ele viveu toda sua vida ao lado do pai, mas, apesar disso, estava muito distante dele.
Note que:
· Enquanto o pai fazia uma festa na casa, ele estava no campo (nos arredores da casa, mas distante do pai);
· Ao ouvir o barulho das músicas, ele se dirige a um empregado (e não diretamente ao seu pai) para perguntar o que estava acontecendo. Onde está a intimidade com seu papai querido para perguntar diretamente a ele o que se passava na casa?;
· Aos olhos dele, o pai era injusto;
· O filho mais novo, no entanto, mesmo longe, conhecia o amor e a bondade do pai e, por isso, decidiu voltar e pedir perdão. O mais velho, contudo, demonstrou não conhecer aquele que sempre estivera ao seu lado, pois só estava preocupado com a herança, os bens materiais, os mandamentos do pai e desprezava “o mais importante da lei: o juízo, a misericórdia e a fé” (Mt 23:23).
Podemos dizer que o filho mais velho representa, em suma, os crentes religiosos que vão à igreja todos os finais de semana, que oram, jejuam e louvam ao Senhor com as sua vozes, mas não conhecem verdadeiramente a Deus. São homens e mulheres cheios de letras (leis, mandamentos) e vazios de Deus. Pessoas que nunca tiveram uma experiência real com Deus, ou tiveram há muito tempo, e já não sabem o que é isso. Gente que pensa que a presença de Deus se resume a “alguns arrepios” ou a lágrimas que brotam de seus olhos no momento da adoração.
Deus falou sobre isso:
“... pois que este povo se aproxima de mim, e com a sua boca, e com os seus lábios me honra, mas o seu coração se afasta para longe de mim e o seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens, em que foi instruído” (Is 29: 13)
Talvez você e eu nos encontremos nesta mesma situação: perdidos, distantes de Deus, mesmo vivendo o tempo todo em sua casa. Nunca fomos viver no mundo, mas será que não é lá que se encontra o nosso coração? O que nos impede de ir? Nosso amor a Deus que tira todo desejo que não o agrada de nós ou é simplesmente um “temor baseado em mandamentos em que fomos instruídos”?
Seja qual for a resposta, saiba de uma coisa: Deus nos fez para louvor da sua glória (Is 43:7), para viver em comunhão constante com Ele. Seu desejo é nos trazer para perto dEle.
Quando o filho mais velho não quis entrar na casa, o pai foi ao encontro dele e insistiu para ele entrar. Hoje o Pai, através dessa pequena mensagem, está vindo ao nosso encontro e Ele insiste para irmos além, para mais perto dele, para onde nunca fomos antes. Lembre-se que foi aos crentes, e não aos incrédulos, que Jesus falou:
“Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo.” (Ap 3: 20)
Se hoje você está ouvindo a Sua voz, abra a porta do seu coração e deixe de ser um simples religioso para se tornar um verdadeiro adorador e estar entre aqueles que conhecem os segredos de Deus (Sl 25:14)!!
Sou Crist@o... e ai??
Que Deus os abençoe!!
por Aline Mansano
2 comentários:
Parabéns pela mensagem. Que Deus esteja sempre falando em seus corações para que a cada dia tenham mais liberdade e sabedoria para mostrar ao mundo o amor que Deus tem por nós. "OSRocha"
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